Prezados Colegas participantes do 7º. SENAED,

 agradecemos a participação de todos que visitaram nosso blog e parabenizamos a Coordenação do evento pela iniciativa de realizá-lo neste formato virtual.

Nossa intenção é dar continuidade a esta discussão sobre o PEAD neste blog.

Contamos com a participação de vocês e esperamos que estendam nosso convite a outros interessados na discussão sobre EAD.

Abraços,

Rosane Aragón de Nevado
Marie Jane Soares Carvalho
Crediné Silva de Menezes

Rosane Aragón de Nevado, 
Marie Jane Soares Carvalho,
Crediné Silva de Menezes

Para fazer frente ao desafio de educar para a autonomia e a cooperação, (Carvalho, Nevado e Menezes 2005), propomos a idéia de arquiteturas pedagógicas. Essas arquiteturas são definidas como “suportes estruturantes” para a aprendizagem. São configuradas a partir da confluência de diferentes componentes: abordagem pedagógica, software, internet, inteligência artificial, educação a distância, concepção de tempo e espaço. O caráter destas arquiteturas pedagógicas é pensar que a aprendizagem é construída na vivência de experiências e na demanda de ação, interação e meta-reflexão do sujeito sobre os fatos, os objetos e o meio ambiente sócio-ecológico (Kerckhove 2003). Seus pressupostos curriculares compreendem pedagogias abertas capazes de acolher didáticas flexíveis, maleáveis, adaptáveis a diferentes enfoques temáticos.

Conforme (Carvalho, Nevado e Menezes 2005), alteram-se as perspectivas de tempo e espaço para a aprendizagem, já que o conhecimento tem como ponto de partida arquiteturas plásticas. Estas se moldam aos ritmos impostos pelo sujeito que aprende, bem como desterritorializam o conhecimento da sala de aula presencial e da escola como locus de aprendizagem exclusivo e propõem fontes diversas advindas da internet, dos textos, das comunidades locais e virtuais.

As arquiteturas funcionam metaforicamente como mapas ao mostrar diferentes direções para se realizar algo, entretanto, cabe ao sujeito escolher e determinar o lugar para ir e quais caminhos percorrer. Pode-se percorrê-los individual ou coletivamente, ambas as formas são necessárias.

O papel do professor é imprescindível no sentido de criação e proposição de arquiteturas e de orientação aos estudantes. Assim, as arquiteturas não prescindem de propostas de trabalho aos estudantes, elas são necessárias para ajudar na construção da autonomia dos estudantes e na construção do conhecimento dos estudantes, apresentando componentes propositivos e oferecendo fontes de informação ricas e variadas.

As arquiteturas não se confundem com as formas de trabalho tradicionais de uso de apostilas, fascículos ou livros didáticos que, na maioria das vezes propõem uma estrutura de trabalho na qual é privilegiada a apresentação de informação e a proposição de exercícios repetitivos, fechados e factuais. Elas pressupõem atividades interativas e  problematizadoras, que atuam de forma a provocar, por um lado, desequilíbrios cognitivos e, por outro, suportes para as reconstruções. Dessa forma, as arquiteturas pressupõem aprendizes protagonistas, solicitando do estudante ação e reflexão sobre atividades que pressupõem a criação de estruturas de trabalho interativas e construtivas.

No PEAD temos explorado várias dessas arquiteturas, o que tem facilitado e enriquecido o processo de aprendizagem. Em todas elas buscamos partir das vivências dos alunos, de questionamentos sobre essas vivências que provocam desequilíbrios seguidos de reconstruções. Listamos a seguir alguns exemplos:

  1. Da interdisciplina  Artes Visuais, trazemos uma arquitetura que trouxe bastante motivação e envolvimento de nossas alunas. Foi apresentado uma obra de Diego Velasquez, “As Meninas”, e foi solicitado às/aos alunas/os que se colocassem como Velásquez e fisessem uma releitura da obra, criando uma nova imagem e uma descrição. O resultado deveria ser publicado através de um blog. Houve um intenso envolvimento e as produções das alunas no blog evidenciam as contribuições desta arquitetura;
  2. No Seminário Integrador estamos explorando a arquitetura Projetos de Aprendizagem (Fagundes e outros, 1999), que consiste na exploração cooperativa de uma Questão de Investigação. Nesta arquitetura, o trabalho dos alunos é intenso, começando pela identificação de interrogações que incomodam nossos alunos. A partir de uma listagem dessa questões as pessoas vão se agrupando, motivadas pelas proximidades dos questionamentos. Juntos, e com a orientação do corpo docente, partem para uma investigação sistemática, que considera o levantamento de informações na literatura especializada, a coleta de dados, entrevistas e experimentos. A produção é realizada de forma cooperativa, usando os ambientes de interação e publicada em espaços virtuais. O combustível que alimenta o trabalho são as certas provisórias e as duvidas temporárias, que são levantadas logo no inicio do Projeto. O trabalho de pesquisa consiste no esclarecimento das dúvidas e na validação das certezas. Os alunos fazem um planejamento que vai sendo refeito ao longo do processo.  As dificuldades, as conquistas, as metareflexões são registradas em um diário de bordo. Ao final, os grupos publicam a resposta encontrada para a questão de investigação. O processo de avaliação é também cooperativo. Incia-se com o esforço coletivo de identificar categorias e indicadores. Os alunos são designados para avaliar projetos de forma que cada um projeto seja revisado segundo os critérios combinados, por dois ou mais participantes. A seguir, os grupos fazem uma leituras das avaliações de seus trabalhos e produzem uma réplica, que contempla explicações, refutações e propostas de aprofundamento. Durante a construção os docentes levantam questões sobre a metodologia e sobre os resultados parciais e fazem sugestões de caminhos para a exploração das duvidas e certezas. Na fase de avaliação os professores analisam e fazem sugestões globais e pontuais nos trabalhos e nas avaliações.
  3. Na formação de Tutores, que ocorre em paralelo, através de um curso de Especialização (ESPEAD), desenvolvemos e exploramos uma arquitetura para a (re)Construção de conceitos (Nevado e outros, 2009).  O que se pretendia promover com esta arquitetura é que indivíduos em processo de compreensão de um determinado micro-mundo elaborem suas conceituações apoiados por um processo dialético. O ponto de partida é a compreensão dos sujeitos sobre os diversos conceitos  envolvidos no micro-mundo considerado. A partir do momento em que cada sujeito revela sua compreensão acerca de determinados conceitos é possível estabelecer um debate coletivo identificando semelhanças e diferenças entre as suas concepções. O ponto culminante do processo foi a reelaboração, ou seja, o processo coletivo de construção/ reconstrução conceitual que os sujeitos realizam nas suas interações interindividuais e nas suas interações com materiais textuais, modificando os significados do micro-mundo em questão. O tema escolhido para o experimento foi Aprendizagem e Desenvolvimento, segundo a epistemologia genética de Jean Piaget (1978).Durante o trabalho neste curso utilizamos um ambiente do tipo wiki (pbwiki.com), um site disponível na Internet de forma gratuita. O ambiente dá suporte à edição cooperativa de sites e ao  compartilhamento de documentos. Os fóruns para debate foram realizados através da edição cooperativa de páginas. Para materializar as trocas síncronas foram utilizados diversas ferramentas de conversação tais como MSN, Skype e GoogleTalk.

 

O trabalho com arquiteturas tem nos permitido avançar na proposição de uma metodologia inovadora para a introdução das tecnologias da comunicação e informação no cotidiano escolar. Começamos por pensar estratégias pedagógicas cooperativas e seu requisitivos de informação e comunicação. A partir disto vamos explorando as necessidades de tecnologias, e, após alguns refinamentos chega-se à uma proposta integrada.

 

Referências:

Carvalho, M. J. S., Nevado, R. A. e Menezes, C. S. Arquiteturas pedagógicas para educação à distância: concepções e suporte telemático. Anais – XVI Simpósio Brasileiro de Informática na Educação, 1, 362-372, 2005.

 Piaget, J. A Epistelomogia Genética; Sabedoria e Ilusões da Filosofia; Problemas de Psicologia Genética. In: Piaget. Traduções de Nathanael C. Caixeiro, Zilda A. Daeir, Celia E.A. Di Pietro. São Paulo: Abril Cultural, 1978. 426p. (Os Pensadores).

 Nevado, R.; Dalpiaz, M.M.; Menezes, C. Arquitetura Pedagógica para Construção Colaborativa de Conceituações. Anais do Csbc – wie2009-.workshop de informática na escola. Bento Gonçalves, RS, 2009.

Rosane Aragón de Nevado,
Marie Jane Soares Carvalho,
Crediné Silva de Menezes 

A avaliação da aprendizagem tem um papel central na formação de professores. No PEAD a avaliação é concebida como parte integrante do processo de aprendizagem. Dessa forma, buscamos uma avaliação integrada e integral dos alunos.

A avaliação de cada interdisciplina é realizada realiza em 2 momentos: (i) no primeiro desses momentos, cada estudante é avaliado com respeito à realização das atividades específicas propostas na interdisciplina e (ii) no segundo momento, realiza-se a avaliação integrada. Essa avaliação é  dividida em três etapas: Desenvolvimento do Portfólio de Aprendizagens, Elaboração da Reflexão-Síntese com base no Portfólio e Defesa Oral da Reflexão-Síntese.

Portfólio de Aprendizagens: Dentro da primeira etapa, que se inicia nos primeiros dias letivos, o aluno elabora registros de suas reflexões, desequilíbrios cognitivos, conquistas, superações, etc., em um Portfólio de Aprendizagens. Os estudantes são orientados e incentivados a registrarem momentos de tomada de consciência, quando percebem mudanças nas suas formas de fazer ou pensar sobre um determinado assunto. Esses registros são indexados, usando como “marcadores” os nomes das interdisciplinas e/ou outros que os alunos acharem convenientes para o trabalho posterior com este Portfólio. Espera-se que o estudante apresente seus registros com a estrutura de evidências e argumentos e que tenha como meta a realização de pelo menos um registro semanal, ainda que sejam incentivados a realizar um maior número de registros. Esta estrutura é importante para apoiar a meta-reflexão e, além disso, prepara os estudantes para a iniciação a pesquisa, pois a exigência de registro cumulativo impõe sistematização e análise, tanto das próprias aprendizagens, quanto das aprendizagens das colegas. Os registros são acompanhados pelos tutores e docentes, visando qualificá-los. Esses registros são realizados em um blog individual, aos quais todos os alunos, professores e tutores do Curso têm acesso para leituras e comentários.

Reflexão-Síntese: No final do semestre, tomando por base os portfólios, é elaborada a Reflexão-Síntese. Para a sua elaboração, a equipe docente propõe questões orientadoras, orientações técnicas e sugestões para apoio à construção do documento. A partir do acompanhamento realizadas por professores e tutores,  o documento é reconstruído e apresentado ao Curso com o caráter de documento oficial do processo avaliativo.

Workshop de Avaliação Semestral: São formadas bancas de avaliação, cada uma com a participação de 10 a 12 alunos. Uma banca é composta pelo docente responsável pelo grupo e um ou mais tutores.  Os alunos de cada grupo, além de realizarem suas apresentações, assistem e avaliam todas as demais apresentações. A avaliação por pares é registrada em um instrumento de avaliação simplificado. Para cada apresentador é destacado previamente um colega para ler o seu trabalho e participar da argüição durante o período de intervenção da banca. Ao final do debate a equipe docente define que é registrado na ata de avaliação. Ao final da sessão é realizado um debate considerando as diversas contribuições apresentadas pelos alunos e pelos comentários dos pares.

 

Nas produções do PEAD os “autores” (alunos, professores e tutores) criam textos hiperlinkados em conjunto com os colegas, materializando-se assim uma intensa interação. Cada site, de uma interdisciplina, de um grupo ou de um aluno, é um documento em contínua construção (Ziede e outros, 2008).

 O curso desenvolve-se prioritariamente com o uso de materiais da web, que se atualizam continuamente, requerendo, em alguns casos, a possibilidade de autoria pelos próprios professores e tutores.

 Na realização de cada interdisciplina, seguindo a concepção pedagógica do curso, os alunos são protagonistas. Na prática esta característica se manifesta pelo exercício da autoria, da cooperação e da revisão por pares.

 A autoria é uma das competências fortemente incentivadas em cada uma das interdisciplinas. As atividades propostas, sejam elas individuais ou em grupo, resultam, em geral, em produções multimidiáticas (texto, imagens, vídeos etc.).

Para o desenvolvimento dos trabalhos em grupo, é importante que se tenha uma ferramenta para escrita cooperativa, que exerça o controle de acesso e proporcione a gerência de versões, evitando com isso as possíveis perdas de trabalhos, muito comum em situações de trabalho a muitas mãos.

 Além de construir juntos, nossa proposta pedagógica incentiva a revisão por pares, uma estratégica que exercita o compartilhamento de idéias, a oportunidade do exercício do contraditório e o desenvolvimento do espírito crítico. Com esta intenção, as produções são visitadas e comentadas por colegas, tutores e professores, de forma visível para todos os participantes.

Ambientes virtuais utilizados

O curso está ancorado no ambiente ROODA (www.ead.ufrgs.br/rooda), uma das plataformas oficiais da UFRGS para educação à distância, onde se realizam,  preferencialmente, as atividades de acompanhamento, comunicação, debates assíncronos, divulgação de materiais e propostas de atividades.  A Figura 1 apresenta uma ilustração do uso da ferramenta fórum no ambiente ROODA, onde os alunos da Interdisciplina Seminário Integrador, após um período de desenvolvimento de Projeto de Aprendizagem (Fagundes e outros, 1999), uma atividade desenvolvida em grupo, debatem sobre as vantagens do trabalho cooperativo.

 

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Figura 1 – Uso do Fórum no Ambiente ROODA

 

O desenvolvimento de atividades coletivas é apoiado por um ambiente de blog (www.blogger.com), por um ambiente para autoria cooperativa (pbwiki.com) e por sites para compartilhamento de fotos e vídeos (www.bubbleshare.com e www.youtube.com).

 

Na interdisciplina Artes Visuais na Educação, integrante do Eixo II do curso, as alunas desenvolveram, em um blog cooperativo, uma releitura da obra “As Meninas” de Diego Velasquez (Figura 2). Para conhecer melhor acesse o blog no link 

 

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Figura 2 – O Blog de Artes Visuais

 Na Interdisciplina Seminário Integrador V, do Eixo V, usamos a ferramenta pbwiki, um editor cooperativo na web, para o desenvolvimento de Projetos de Aprendizagem. Na Figura 3 é apresentado o site de um dos projetos desenvolvidos. Nesta atividade os alunos buscam respostas para uma questão de investigação, formulada por eles, a partir da exploração de suas certezas provisórias e dúvidas temporárias (Fagundes e outros, 1999).
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 Figura 3 – Usando o pbwiki para desenvolver um Projeto de Aprendizagem

 A realização de mini-conferências é realizada no ambiente Breeze e com o uso de ferramentas gratuitas como MSN, skype e googletalk. A utilização de ambientes disponíveis na rede internet atende a orientação do Curso quanto à ampliação de uso desses ambientes pelos estudantes do Ensino Fundamental, qualificando a ação pedagógica das alunas-professoras ao promover na escola a inserção de atividades informatizadas no dia a dia do trabalho docente. 

 

Referências

 Fagundes, L., Maçada, D., Sato, L.; Aprendizes do Futuro, as Inovações Começaram, MEC, 1999. (http://mathematikos.psico.ufrgs.br/textos/aprender.pdf)

 Ziede, M.; Charczuk, S. B.; Nevado, R.A.; Menezes, C.S.; Construção de redes virtuais de aprendizagem utilizando o pbwiki : o caso de um curso de pedagogia a distância, in III WAPSEDI – SBIE2008, Fortaleza-CE, 2008.

 

Sob a coordenação dos docentes do Seminário Integrador, denominados Coordenadores de Polo, em cada um dos polos é constituída uma equipe de trabalho, formada pelos docentes das várias interdisciplinas, pelo tutores a distância e pelos tutores presenciais, buscando um desenvolvimento integrado do semestre.

A atividade docente no PEAD é desenvolvida por 3 equipes distintas: Docentes, Tutores a Distância e Tutores Presenciais. As funções dessas equipes são apresentadas a seguir. 

Docentes: são responsáveis pelas propostas de estudos teórico-práticos, pela concepção dos materiais didáticos, pela avaliação  e pela realização das interações com os alunos em parceria com os tutores. Além disso, os docentes têm como função a orientação dos tutores que compõem as suas equipes no semestre no que diz respeito às especificidades do trabalho que será desenvolvido, como por exemplo: as sistemáticas de feedback, os atendimentos online, os registros específicos de acompanhamento de atividades e as reuniões de equipe.  

Tutores a Distância: são alunos de mestrado ou doutorado com formação específica na área da Educação. Sua função geral é: realizar intervenções diretas (feedback) segundo orientação do docente, nas atividades realizadas e registradas nos ambientes virtuais; acompanhar e orientar cada aluno nas atividades propostas na Interdisciplina; incentivar a participação e a reflexão.

Em cada interdisciplina, os tutores acompanham a participação dos alunos em cada uma das atividades com o uso de planilhas online,  que servem de subsidio para compreender o percurso do aluno em um dado semestre. Este acompanhamento é fundamental para apoiar o trabalho de prevenção da evasão, para enriquecer o processo de avaliação e atribuição de conceitos assim como para planejar os momentos de recuperação e o redirecionamento das atividades.

Tutores Presenciais: são professores das redes públicas de ensino dos municípios-polos, graduados em Pedagogia ou áreas afins e, na sua maioria, com especialização em educação. Sua função geral é: proporcionar acompanhamento e orientação personalizada em atividades individuais e de grupo; incentivar a participação na comunidade de aprendizagem; estabelecer vínculos com cada estudante.

Em cada um dos Polos, o PEAD mantém uma equipe de tutores para o acompanhamento presencial dos alunos. Além do suporte à apropriação tecnológica, os tutores de polo acompanham a trajetória de cada aluno. Este trabalho envolve o conhecimento das condições locais de trabalho e das condições de vida de cada aluno.

Os tutores (presenciais e a distância) são mantidos, desde o primeiro semestre do curso, atuando em um mesmo polo, salvo exceções, e em virtude disso conhecem e acompanham de forma individualizada cada aluno com quem trabalham.

Articulação entre Equipes

O desenvolvimento do curso pressupõe a articulação entre as diferentes equipes, organizadas de forma a promover interações em diferentes âmbitos:

  • Das interdisciplinas, na qual trabalham 5 docentes (cada docente é responsável por um dos polos do Curso, sendo que um deles atua como coordenador da interdisciplina), 10 tutores a distância e 3 tutores presenciais;
  • Dos eixos que compõem o semestre em desenvolvimento, no qual atua 1 docente por interdisciplina, em cada um dos polos. Considerando que, são desenvolvidas em cada eixo de 4 a 6 interdisciplinas, as equipes por polo são compostas por de 4 a 6 docentes, coordenados pelo docente responsável pelo Seminário Integrador (Coordenação de Pólo), além dos tutores a distância e presenciais.
  • Da Comissão Coordenadora do Curso, constituída pela Coordenação Geral, Coordenação Pedagógica e Coordenadores de Polo;
  • Do coletivo do Curso, composto pelas coordenações de curso, docentes, tutores e representação discente.


Convite à Interação

Prezados leitores, gostaríamos de contar com a participação de vocês no desenvolvimento deste seminário.  Sugerimos que façam comentários sobre as postagens, discutindo o que estamos apresentando frente a situações de cursos a distância vividas/conhecidas por vocês.

rede-pead

O Curso de Graduação – Licenciatura em Pedagogia na modalidade a distância (PEAD/FACED/UFRGS), foi concebido dentro do Programa Pró-Licenciatura – Fase I da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação, para graduar 400 professores em exercício nas séries iniciais do Ensino Fundamental, na Educação Infantil e na Gestão Escolar, de escolas públicas estaduais e municipais do Estado do Rio Grande do Sul (NEVADO; CARVALHO e BORDAS, 2006, p. 4) vinculados a cinco cidades-pólos: Alvorada, Gravataí, Sapiranga, São Leopoldo e Três Cachoeiras.

Seguindo as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Pedagogia, o PEAD habilita o/a pedagogo/a simultaneamente na Docência em Educação Infantil e Anos iniciais do Ensino Fundamental; Docência em Educação de Jovens e Adultos (EJA); Gestão Escolar; Docência nas matérias pedagógicas na Modalidade Normal; Docência em Cursos de Educação Profissional para a área de Serviços e Apoio Escolar.

Conforme Bordas, Carvalho e Nevado (2005), o PEAD está proposto numa perspectiva de educação continuada e, como tal, não pode perder de vista o patamar histórico, político, social e cultural em que se insere. Este é um Projeto que se fundamenta também na experiência da Educação Popular, prática cotidiana já exercida pelos professores não habilitados em nível superior e na educação universitária por suas dimensões integradas de ensino, de pesquisa e de extensão, na busca de (re)inventar, constantemente, uma prática social educativa capaz de gerar uma pedagogia viva, cidadã e participativa.

De acordo com a especificidade que deve caracterizar um processo que é, ao mesmo tempo, de formação inicial e continuada de professores, o Projeto Político Pedagógico do Curso se organiza em função de três pressupostos básicos:

  • Autonomia relativa da organização curricular, considerando as características e experiências específicas dos sujeitos aprendizes;
  • Articulação dos componentes curriculares entre si, nas distintas etapas e ao longo do curso;
  • Relação entre Práticas Pedagógicas e Pesquisa como elemento articulador dos demais componentes curriculares, constituída como estratégia básica do processo de formação de professores.

Considerando esses pressupostos, o PEAD foi planejado como um curso-pesquisa, no qual se busca construir conhecimento sobre o próprio modelo em ação. A partir da criação de um currículo diferenciado, articulado em eixos e interdisciplinas e da aplicação de metodologias construtivistas, o PEAD vem buscando superar a dicotomia apresentada pelos modelos convencionais de cursos de formação de professores, que teorizam sobre as transformações nas práticas educativas, sem que essas transformações sejam vivenciadas no próprio ambiente de formação.

O curso pressupõe o uso intensivo da internet e para tanto os pólos possuem um laboratório de informática com acesso a internet em banda larga. Além disso os polos possuem uma biblioteca, salas de atendimento (Tutoria presencial) e auditórios para realização de atividades presenciais
Os alunos foram selecionados a partir de um vestibular específico e as atividades do curso foram iniciadas em agosto de 2006. Os ingressos tinham o seguinte perfil: 98% era do sexo feminino; a média de idade era de 36 anos, a carga horária semanal média de trabalho era de 35 horas, sendo que um número significativo (aproximadamente 5%) trabalhava 60 horas; cerca de 70 % tinham computador em casa; 60 % tinham acesso à internet em suas residências. Ainda que a maioria dos ingressos tivesse computador em casa e acesso à Internet, a quantidade de usuários efetivos das TICS era muito baixa. Em geral, os computadores domésticos eram usados por maridos e filhos.

Referências
BORDAS, M. C., CARVALHO, M. J. S., e NEVADO, R. A.. Formação de Professores: Pressupostos Pedagógicos do Curso de Licenciatura em Pedagogia/EAD. Informática na Educação: Teoria e Prática, 8(1), 143-167, 2005

NEVADO, R. A.; CARVALHO, M. J. S.; BORDAS, M.C.. Guia do Professor. Curso de Licenciatura em Pedagogia a Distância: Anos Iniciais do Ensino Fundamental, modalidade EAD- FACED: 2006

O PEAD propõe uma alternativa de formação de professores em uma perspectiva de redefinição da função docente e de modelos diferenciados de apropriação e construção do conhecimento, apoiada no uso intensivo da Internet, conforme apresentado na figura 1 metamorfoses do currículo e da prática pedagógica propostas pelo curso.

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Figura 1 – Metamorfoses no Currículo

Fonte: Nevado, R.; Carvalho, M. S; Menezes, C. (2009).

 O PEAD propõe um currículo articulado em eixos e interdisciplinas, além do uso de metodologias construtivistas.  Parte da experiência dos seus alunos, professores em serviço,  bem como nas suas condições de vida e trabalho ao se propor articular essas experiências (o fazer) a um aprofundamento teórico (compreender). Como as alunas (e alunos) do curso estão em sala de aula e convivem com problemas de várias naturezas, o curso privilegia este espaço como o lugar de onde partem as reflexões que se ampliam nas teorizações; essas retornam às práticas pedagógicas para sua apropriação concreta, para a avaliação de sua sustentabilidade real e desdobram-se em novas práticas ou consolidam as boas práticas pela sua reinterpretação. 

O curso é desenvolvido em nove eixos temáticos, apresentando um conjunto de Interdisciplinas ou atividades de caráter obrigatório e eletivo, num total de 3.225 horas, correspondendo a 215 créditos, integralizados no período de 9 (nove) semestres.

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Cada um dos eixos engloba um grande tema norteador, no qual os conteúdos e as atividades se desdobram em interdisciplinas e enfoques temáticos, conforme ilustrado a seguir:

 

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Figura 2 – Eixos, Interdisciplinas e Enfoques Temáticos.

Definimos como interdisciplina, no contexto do PEAD, uma área para qual convergem diferentes disciplinas, mesmo que uma delas seja predominante. A proposta é que as várias interdisciplinas prevejam atividades integradas e atividades específicas. Além da busca pela integração, em nível das interdisciplinas, em todos os eixos do PEAD é desenvolvido o Seminário Integrador (SI). Na Figura 3 ilustramos as relações entre interdisciplinas e a articulação proporcionada pelo Seminário Integrador

 

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 Figura 3 – Exemplo de Eixo (Eixo I do curso)

 Pela sua característica de articulação, o SI se constitui pela flexibilização programática, diferenciada a cada eixo de acordo com as necessidades das Interdisciplinas e enfoques temáticos, desenvolvendo iniciação à pesquisa, “ferramentas intelectuais” e metodologias para apoiar e integrar o trabalho pedagógico em cada eixo.

Referências:

Nevado, R.; Carvalho, M. S; Menezes, C. “Metareflexão e a construção da (trans) formação permanente: um estudo no âmbito do Curso de Pedagogia a Distância, in Valente, A. e Bustamante, S. EAD e a Reflexão sobre a Prática: a formação do Profissional Reflexivo. Ed. Avercamp (2009).